
Ontem (18), além do início da Quaresma, a data foi marcada pelo Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, que visa conscientizar a população sobre a doença que é crônica e é caracterizada pela incapacidade de controlar o consumo de álcool.
O alcoolismo é considerado um problema grave de saúde, com cerca de 17% dos consumidores apresentando consumo abusivo. Dados de 2025/2026 indicam que o álcool causa 12 mortes por hora e gera custos de R$ 18 bilhões anuais. Apesar da redução no número de bebedores, internações cresceram 2,8%, lideradas por homens.
O consumo de álcool indicativo de alcoolismo é geralmente definido como o consumo de mais de 7 a 8 doses por semana para mulheres e mais de 14 a 15 doses para homens, configurando risco alto. No Brasil, considera-se “beber pesado” (BPE) a ingestão de 5 ou mais bebidas em uma única ocasião para homens e 4 ou mais para mulheres.
Grupos de apoio em Ponta Grossa
Com o propósito de ajudar pessoas com vício, Ponta Grossa conta com alguns grupos de apoio com reuniões periódicas. Dos grupos de ajuda, o denominado Alcóolicos Anônimos Grupo Esperança, com endereço na rua Quinze de Novembro, 120, Centro – mantém reuniões diariamente, o que inclui domingo, a partir das 20 horas. “Não precisa agendar, basta chegar e assistir as reuniões, que são gratuitas”, conta um dos frequentadores, que trabalha como voluntário no local, e que prefere se manter no anonimato.
Como o próprio nome já diz, os Alcóolicos Anônimos ou AA, não expõe os participantes. A única missão do lugar é ajudar. Muitos chegam ao local por indicação, por intermédio da família e alguns porque tiveram consciência que precisavam dar um basta no problema.
Confira a entrevista do Sintropas com um dos frequentadores do grupo, que esclarece várias questões para quem sofre da doença:
Como saber que o consumo de álcool está exagerado?
Se a pessoa bebe e gosta, ela compra duas latinhas para tomar e pronto, mas de repente ela começa a comprar uma caixa e nunca é suficiente. E daí tudo começa a ser motivo para beber. Faz um bom negócio, quer beber, briga com a família, quer beber, tudo que acontece ela tem que beber.
Quando é hora de procurar ajuda?
Não é pela frequência e nem pela quantidade, mas muitas vezes são os sintomas que a pessoa vai tendo ou pelas situações que vão acontecendo. Muitas vezes, a pessoa fica nervosa, alegre, começa a ter problemas físicos ou/e mental por causa da bebida e quando isto acontece, precisa procurar um médico. Outras vezes, ela ainda não desenvolveu sintomas físicos, mas a pessoa começa a perder tudo por causa da bebida. Já vi pessoas com dois ou três carros na garagem, dai começa a perder carro, daí perde o emprego e vai perdendo tudo.
Quem participa dos AA ou já está recuperado do alcoolismo, pode voltar a beber pelo menos socialmente?
O essencial é sempre evitar o primeiro gole, porque ela pode até voltar a beber pouco, mas ela vai aumentando a quantidade sem perceber e quando vê já está bebendo mais do que estava antes.
Como é feito o acompanhamento?
Se for a primeira vez, a pessoa preenche uma ficha e assume um compromisso com ela mesmo, daí começa a participar das reuniões. Aqui não tem psicólogo, psiquiatra ou outro profissional trabalhando no grupo, o grupo funciona através das reuniões, com a participação de outras pessoas que sofrem do mesmo problema, ou seja, é uma troca de experiência.
Qual é a frequência que a pessoa deve participar das reuniões?
Não definimos uma frequência. A participação é livre, espontânea e a pessoa vem conforme ela tem vontade, mas quanto mais frequentar sempre é melhor. Normalmente ela vai se interessando pelo grupo, para de beber, vai arrumando trabalho. É uma logística grande.
Quem quiser saber mais sobre os AA em PG, precisar de ajuda ou conhecer alguém que precise, pode entrar em contato no (42)3222-2233.
As respostas foram dadas por um dos participantes dos AA em Ponta Grossa